O mundo se mostrou cinza, como uma cidade sem vida. Como um vazio que chega a doer e quebrar todas as paredes que havia construído…

Uma correria desenfreada na rotina sem sentido e sentimento. Uma hora tudo chega e foi aí que apareceu. Meu tombo foi enorme e quase infinito, por conta de como havia construído meus passos até aqui. Por anos fui um babaca solitário. Trapaceava minha própria insatisfação, negava minha fraqueza maior, ria das minhas vontades secretas e tinha um medo, que nunca coube no meu corpo, para toda e qualquer possibilidade de ter aquele nó na minha garganta novamente. O sufoco tão perfeito de se sentir completo com alguém ao seu lado. Aquele suor frio antes de sair do elevador e te ver me esperando na porta. Nunca soube como te receber, porque havia sempre um impulso elétrico que percorria todos os cantos do meu corpo. Aquele tremor que congela a espinha quando me via protegido e completamente alegre com um sorriso do meu lado. Eu nunca me senti assim por alguém, mas você parecia escrita na minha vida para sempre. Desde a infância inocente e cheia de desencontros infantis, até adultos com histórias diferentes e desconexas um do outro. Como um convite para a insanidade, fomos intensos. Rápidos, irresponsáveis e amantes. Fomos quentes, alegres e completos. Por conta da minha babaquice, fomos terminados. Terminamos pela minha covardia de te assumir. Assumir que você me fazia um homem melhor, um homem feliz e completo. Eu não tinha uma menininha do meu lado, mas uma mulher. Certa, determinada e tão diferente de mim, que me mostrou um mundo que eu talvez pudesse desbravar. Mas eu não quis. Assustado, medroso e completamente infantil, eu te virei as costas. Não para você apenas, para nós. Para a nossa história de alguns meses. Para a nossa história de finais de semana juntos e apaixonados. Eu te amei e nunca tive a chance para falar. Eu te amei. Desde o início e até hoje. Nunca tive mais ninguém na minha vida, porque nenhuma me fez chegar aos pés do que senti ao te beijar pela primeira vez, ao te deixar a primeira noite, já com o dia clareando e os pássaros cantando. Eu estraguei tudo, porque eu nunca tive a coragem de falar “Eu te amo, não me deixe!”.

Eu te deixei, babaca e infeliz. Eu te deixei. Para mim? O que restou foram as lembranças, cada vez mais ralas e dolorosas. Aqui tenho um silêncio sucursal que devora todos os pontos de vida. Eu choro pela minha fraqueza e sonho sempre com a mesma coisa… Há anos quero voltar para aquela mesa do bar de esquina, te falar o quão babaca e egoísta eu fui. Há anos quero responder sua mensagem e secar as suas lágrimas com um beijo e um pedido de desculpa, não irônico, nem um pouco vazio. Mas as que nunca tive coragem de te falar. Um “desculpa por tudo”: Por ter invadido sua vida, te ter feito medrosa, ter mostrado um pouco do meu mundo e fazer você querer viver junto comigo. Há anos eu quero apenas te olhar nos olhos e falar “Te amo” e te ver dormir novamente como eu fiz por dezoito vezes…