Já escrevi aqui duas vezes sobre as minhas razões de partir e não ter raízes. E isso talvez seja a minha maior verdade, mas também um dos maiores defeitos…
Ser temporário é algo nocivo. Porque você nunca será para sempre, nunca será por um longo período. Nunca será para depois, porque o depois não existirá comigo ali. Faço os planos curtos para não quebrar minhas promessas – e isso eu não faço. Quem me conhece, sabe.
Como Robert Smith escreveu em Disintegration, “Eu nunca disse que ficaria até o fim…” e demorei muito para achar uma música que explicava muito a sensação de sentir falta de muita coisa, mas sabendo que nunca voltarei ou terei aquilo de volta.
Mas ao mesmo tempo que sou temporário e vou sumir logo na próxima virada, eu sou intenso. Essa intensidade faz todas as coisas serem boas e ruins. Serem insanas e necessárias. Já ouvi (e senti) que o que vivemos por simples meses, foi como se tivesse sido uma década com outras pessoas. Eu sou muito – e como bom ariano, esse muito é pra agora. Mas o preço a se pagar é que hoje se tem muito, amanhã não se tem nada. É triste, mas é real.
Ser temporário também é o primeiro a ser esquecido. Primeiro é a intensidade que se perde, depois o nome, depois o sorriso e, no fim de uns meses, se acaba a lembrança e serei apenas um ponto perdido em um ponto da mente que nunca brilhará para se lembrar quem eu fui….
Conte-me algo aqui...