Uma hora isso ia acontecer. Cedo ou tarde a mentira iria me pegar novamente…

Não sou nenhum santo e tampouco fui correto minha vida toda. Fiz muita coisa errada. Já magoei pessoas e destruí sentimentos e relacionamentos de forma egoísta. Culpei a idade, a vida e aprendi, da pior maneira, que era necessário acontecer tudo no momento que aconteceu. O resultado era que com 30 anos já tinha tantas histórias, que por vezes me relembravam de algum pedaço que eu havia deixado em algum canto da minha memória volátil…

Depois de um tempo as aventuras, a molecagem e as sacanagens perderam o sentido. Era mais fácil jogar limpo, deixar tudo às claras e olhar sempre nos olhos, do que ficar criando mil caminhos confusos em um labirinto que com certeza iria me perder. Daí em diante tudo foi mais leve. Aprendi o valor de uma noite de sono tranquila. Desaprendi a ter aquela “aflição alerta” para não ser pego na mentira. Pode parecer papo de tiozão, mas você não faz ideia como isso é libertário. Muito. Muito…

Mas a vida não esquece o débito passado e mesmo que hoje você siga na passarela de luz, algumas trevas seguem o sabor do vento para vir te cobrar… E daí que mentiram para mim. Uma mentira talvez imbecil, afinal toda mentira é imbecil. Mas ainda assim, fez machucar em um momento frágil – longe de amigos, longe da alegria rotineira e em um covil diferente do esperado. Daí é aquele papo de que, não teria hora pior, mas a vida é assim mesmo.

Escrevi aqui que a vida é um quebra-cabeça e as derrotas fazem você enxergar os seus erros, suas implicâncias e te mostram o quanto você estava certo e sua intuição não te larga nenhum minuto. E daí você entende que cultivar peças idiotas, que só te usam e te fazem mal, não é sinônimo de felicidade. Muito pelo contrário, é doença. E doença se trata com remédio – e quanto mais amargo melhor. E que quanto mais reto, límpido e verdadeiro for teu caminho, melhor.

E para quem me traiu? Apenas falo que a vida cobra. Cobra quando você menos esperar…