É mostrado um mundo de sonhos perfeitos e caminhos perfumados de paixão. Jardins repletos e fartos, com a temperatura ideal para se apaixonar por todas as circunstâncias…

Caminhando um pouco além, descobrimos que é só a fantasia que nos é mostrada. Alimentamos uma fome gritante, mas que jamais tem fim. Vivemos nos sonhos repletos e quando sonhamos com o realizar, nosso peito inflama e caímos novamente no início deste mundo. Redundâncias perfeitamente acentuadas!

Lua e estrelas, nossas companheiras de túnel, tornam-se nossas melhores amigas, pois passamos madrugadas inteiras gritando a angústia do quase, a infelicidade da falta de perfeição e cantamos o nosso amor não correspondido. O álcool vira nosso combustível de vida, vira o sol de nosso mundo, pois não conseguimos viver sóbrio com a perfeição sem fim e nada real. Vivemos para nos embriagar e, desta embriaguez, soltar nosso lado de fantasia para tentar aguentar toda essa redundância. O doce sabor do destilado infla nossas veias com a inspiração e fazemos poesias para a nossa maior perfeição no mundo. Com essas poesias, criamos um jardim repleto da arte romântica e alcoolizada. Em nossas andanças escrevemos um rio de provas e juras eternas de amor. Todas elas caladas ao amanhecer com o fim das nossas forças.

Essa infinita espera do nunca, deprime e acentua a angústia. Em flashes com o mundo de nossa amada é quase impossível segurar a razão. Uma loucura latente nos invade e perturba, ao ver todos os nossos sonhos ruir como areia ao encontrar o mar da realidade. Conhecemos diferentes sabores para as derrotas e sabemos identificar todas as suas personificações.

Quando estamos no mundo real, queimamos em seu inferno. Nossas poesias, tão trabalhadas e verdadeiras, são as lâminas que nos cortam e nos jogam novamente à fantasias e sonhos. Esta constante não realização de sonhos faz nascer, depois de muito sofrer, dúvidas da nossa capacidade. Dúvidas que tatuam nossa pele para tentar entender como o amor, vivido em nossa maneira tão pura, é capaz de ser tão injusto e diferente fora do mundo das ideias.

Há os que ficam pelo caminho dos dias infinitos da solidão e do álcool e há também os que migram para outro estágio, o estágio forte da Abstração e Não-Lucidez…