Refiz os meus antigos caminhos para notar as diferenças que ignoramos com a rotina diária…
Quando vivemos sozinhos, nossa terapia precisa ser algo que nos motive a enxergar a vida de uma maneira diferente. A minha era sair aos sábados pela manhã para caminhar sem direção pela cidade. Seguia ruas, virava por ladeiras, passava por parques, parava em bancos vazios e tirava fotos aleatórias que classificava nas redes como “Morning Walk”. Depois, sempre parava aqui ou ali para um café da manha gorduroso e um shot qualquer para alegrar o espírito ao voltar para casa.
Nessas caminhadas de algumas horas, eu viajava entre diálogos vividos, situações engraçadas e planos mirabolantes que brotavam na minha cabeça. Sem filtro ou sem enredo – começava e terminava um ponto sem a menor coerência e sorria para o acaso de pensamentos que me rodeavam.
Confesso que mudei a forma de terapia. Agora me perco em pensamentos com algumas piscinas e relaxando em um bar, escutando e aprendendo um idioma que parece engraçado, mas ainda me confunde muitas vezes… Mudanças.
Porém, visitei a antiga cidade e refiz todos esses caminhos. As ruas desertas não mudaram no seu intuito, mas o espírito carregava algo diferente. Uma construção nova aqui, uma reforma finalizada (e que eu pensava que demoraria quase 10 anos para terminarem). Uma nova vizinha, uma bandeira ali e algum protesto acolá. Não olhei o GPS em nenhum momento – sabia para onde queria ir e o que queria ver. Um bar fechado ali, talvez culpa da crise que vivemos nos anos anteriores, e outras mudanças pessoais perdidas entre as esquinas, escadas e ladeiras que antes faziam parte do meu caminho diário…
Ao passar pelo meu antigo apartamento, me assustei na forma que o vi. Tão pequeno, tão encolhido entre as lembranças que duvidei ter acertado o endereço. Mas ali estava ele. Parei na frente, tirei uma foto e contei mais ou menos os passos entre o “início e o fim”. Sim, ele é realmente pequeno, mas logo lembrei como fui feliz ali. Foram os 17 meses mais importantes da minha nova vida. Sem aquele apartamento e a estabilidade que me proporcionou, eu não teria dados os passos seguintes que dei e talvez estivesse ainda patinando entre tantas coisas. Agradeci mentalmente sorrindo e continuei até o final da rua. Ali estava a Rua da Ladeira e aí lembrei da primeira história que aquela cidade me proporcionou na vida. E agradeci novamente…
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