Morar sozinho é bom. Morar em outro país também é legal. O problema são os momentos que nos privam de certas atividades corriqueiras e que causam certa estranheza agora…

Hoje completo meus trinta e quatro anos. Hoje comemoro essa idade avançada e os cabelos de menos, longe, pela segunda vez, de todos os meus importantes. Mesmo não sendo grande fã de comemorações de aniversário, sempre reuni os amigos próximos para um boteco simples, um churrasco ou uma noitada com peripécias alcoólicas que perpetuam décadas depois…

Há mais de um ano saí do Brasil e hoje comemoro meu segundo aniversário “sozinho”. É estranho, depois de tanto tempo, você ter por perto pessoas especiais, mas que não são aqueles teus amigos de sempre. Pessoas que mal sabem da sua história, mas são mais importantes atualmente, do que aqueles que te desvendam apenas no olhar. Em algum momento da vida a gente acabou permitindo essa troca, meio que sem querer, e agora se vê totalmente envolvido com isso.

Nem passa pela minha cabeça largar meus amigos em um momento passado e lamentar a separação. Sou muito ligado à eles para isso. Mas algumas vezes fico pensando no que será de nós daqui para frente, com essa ausência física diária que eu acabei por escolher.

“Os verdadeiros amigos ficam” e sei que isso é verdade. Sei que eles também sentem falta das “simplicidades” do dia de hoje ou por saber que estávamos separados por uma pequena distância. Sei que sentem saudade das histórias criadas e fica claro nas lembranças de todos eles comigo. Hoje tenho rostos novos que sorriem para mim de diferentes maneiras. São pessoas novas que surgiram nesse novo ciclo. Pessoas que me encontraram, conheceram, gostaram e que agradeço muito por estarem por aqui. Os motivos são diferentes, as urgências são complexas demais, mas nos fazemos necessários. Cada qual em sua individualidade. 

A vida sempre foi um ciclo e o tempo, essa vassoura invisível que nos acompanha, sempre acaba varrendo os nossos passos e marcas para um além-inalcançável. Em meio a esse reboliço, acabamos por receber novos destinos e novas peças. Resta a nós coloca-las nas posições certas, cuidarmos para que se fixem da melhor maneira e carrega-las, sem fardo, por nossas caminhadas, torcendo para que se fortaleça e resista às intempéries do tempo.

O aniversário é meu, mas meu presente eu já ganhei dos meus amigos. A lembrança e o carinho de sempre e a certeza de quem é eterno nessa jornada que chamamos de vida, e aqueles que estão querendo ser. Já li em algum lugar: “feliz aquele que tem amigos verdadeiros e fiéis, pois são as famílias que podemos escolher”. Eu sou feliz, porque sei que escolhi certo… Obrigado por me fazer parte disso, pessoal!