Todo conto ou poesia inicia-se com um primeiro verso. Ele dará o tom da lira seguinte e vai ser base para as rimas que existirem. O meu foi assim…

“Você pode ter ido embora, mas ficará sempre uma lembrança sua comigo que jamais esquecerei. Pode o tempo passar, mas eu jamais esquecerei de você… Tudo isso porque te amo!!”

Assim iniciava e terminava minha primeira escrita. Pode ser que fosse simples e adolescente, mas afinal, eu era um adolescente perdido por um sentimento que eu jamais pude entender, mas pude viver… Ela era de outra cidade, prima da minha vizinha de prédio e eu a endeusava. Éramos crianças, pré-adolescentes buscando um motivo para nos sentirmos vivos… E eu a achei. Era impossível e, como toda brincadeira nessa época, era a coisa mais maravilhosa (e única que podia me acontecer). Nos víamos poucas semanas por ano (!) – durante as férias de julho e no verão. E quando chegava estes períodos eu esperava, no segredo da janela, ver carro da sua mãe…

Ficamos uma vez, em dezembro de 2000. Eu que sempre gostei de datas, não consigo lembrar quando foi o primeiro beijo, mas eu sei que lembrei disso por muito tempo. Nenhum outro contato existiu. Nunca falei com ela por telefone mais do que 5 minutos, nunca falei com ela por carta (!). Nossos contatos eram poucas semanas de férias, duas vezes por ano, ou algum feriado prolongado que ela vinha visitar sua prima. Nada além.

Como toda grande (e infinita) paixão adolescente, isso terminou… Mudei de cidade, meus pais mudaram, as datas não bateram e o contato com as antigas vizinhas passou a ser um (quase inativo) nome no Orkut/Facebook.

Tivemos um retorno – adultos, como se fosse uma luz de esperança para um novo começo. Mas tudo pareceu tão surreal, tão longe de conversa que não passou de um encontro, um beijo na madrugada – regado por uma nostalgia perfeita – e um novo encontro que, depois de finalizado, ficou a certeza que seria o último de tudo.

Um pouco (quase nada, de verdade) dessa história eu contei aqui… Mas a trilogia de contos que ela me baseou ficou mais bonita por conta do que eu aprendi com isso tudo, do que com o reencontro em si.

Na época de adolescente, eu tinha a certeza que seria feliz na minha primeira e verdadeira paixão. E daí eu descobri, com o mesmo nome, uma nova com a diferença brutal: o platonismo em pessoa.