Sou de outros tempos e de outras ideias. O tempo passou e eu perdi o embalo dos mesmos de antes…

Perdi a noção dos limites que antes eram verdadeiros. Perdi o conceito de solidez para realização de sonhos. Perdi os significados de fidelidade e companheirismo, que antes todos desenhavam como importante no relacionamento. Perdi o momento em que deixaram de abominar as mentiras entre amigos e passou a ser algo necessário para a dita amizade. Perdi o tato para dançar na valsa da vida, naquela tensão de conquista, na pretensão de ser interessante e ser desejado. Perdi…

Não porque viva diferente ou tenha mudado o contexto de vida, pois ainda caminho próximo dos mesmos interesses e desejos de antes, mas agora caminho praticamente sozinho. Os de antes, vejo relances por figuras espalhadas e parecem ter esquecido todas aquelas barreiras criadas e todas as formas com que antes gritávamos e lutávamos juntos. Trilham hoje coisas estranhamente felizes e normais, mas sem fundamentos e com uma velocidade de acontecimentos muito maior. Antes tivessem quebrando paradigmas e fazendo algo novo, mas cometem os mesmos erros que criticamos anos antes…

Mas admito que fui eu quem perdeu, pois não sou mais gente dessa gente. Essa gente que se perde, que fica mais superficial, que esquece o aniversário e até o endereço. Essa gente que não nota, mas que com tudo isso, fica mais triste e vazia…