Não é apenas de platonismo e sonhos que vive o homem (ou a mulher). Sempre existe uma válvula de escape que pode mostrar bons caminhos…
Era 2005 quando nos conhecemos e passamos a conversar com mais malícia. Eu ainda não entendia muito bem essas dinâmicas, mas gostava de tentar. Era uma terça-feira de julho quando eu a convidei para uma cerveja no boteco da minha faculdade. Foram 8 pessoas e, algumas horas depois, só eu e ela dividíamos a mesa. Ela foi a primeira a falar que meu sorriso era bonito, retruquei falando que ela tinha não apenas o sorriso bonito e que era difícil citar apenas uma parte dela. Nos beijamos loucamente. O bar fechou e a gente migrou para o carro e ficamos ali, até os vidros embaçarem e a gente não se importar com nada além…
Foi a nossa primeira noite de um caso que perdurou por anos. Ela era 8 anos mais velha que eu, logo ela era praticamente uma professora de tudo. De sexo, atalhos, causos de vida, detecção de mentiras e afins… Se hoje eu pudesse apontar uma pessoa que me ensinou a ser assim, ela seria minha única opção.
Fomos retardados porque o momento pedia isso. Eu com vinte e um, ela recém separada. Fomos alucinados. Não apenas sexualmente – apesar de ter sido a base do nosso relacionamento, afinal ela era toda espetacular – mas de curtição. Usávamos nossos dias e noites juntos para nos divertir – seja em bares, festas, viagens ou transando. Se eu contar um causo aqui, com certeza esquecerei outro mais surreal e depois teria outro. E se ela pudesse lembrar também, enumeraria outros que provavelmente eu não lembraria.
Nosso relacionamento, e era difícil na época chamar assim, foi sempre baseado na diversão. Não importa o que fizéssemos, seria divertido para os dois na mesma proporção…
Mas uma coisa é verdade: A loucura não dura para sempre. Aos poucos a idade vai pesando e as pressões aumentam. Eu não queria assumir nada naquela altura e ela, já com mais de 30, começou a se sentir mal com a situação toda. Daí, a diversão acabou e acabamos nos afastando. Não perdemos a amizade, mas aquelas loucuras ficaram apenas nas lembranças…
Quase dez anos se passaram e eu a encontrei novamente. Continuava linda, mas diferente até por conta da idade. Ela passou durante meu almoço no trabalho. Conversamos um pouco, contei dos planos futuros longe do Brasil, ela sorriu de uma maneira que até hoje não consegui decifrar. Perguntei se ela estava feliz com o casamento, o filho grande e a outra pequena. Ela respondeu que sim e meio que cinco minutos depois o assunto acabou.
Ficamos em silêncio uns vinte segundos. Eu peguei a sua mão, ela sorriu… Me abraçou forte, me beijou com vontade, como se fosse uma urgência ou uma súplica qualquer. Ao fim do beijo, os dois ofegavam e ela se despediu. Eu disse meu muito obrigado, mesmo ela não fazendo ideia o quanto era infinita essa gratidão. Prometemos mandar mensagem e afins, o que nunca aconteceu. E foi a última vez que a vi…
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