Creio que todo mundo passou por isso. Ser apaixonado loucamente por aquela pessoa impossível e que nunca se realizou…

Platonismo é algo que acompanha minha vida há décadas, até por ser a maneira mais fácil de criar um texto ou conto. Exagerar na admiração e criar um redemoinho de frustração para todos os sonhos/convites/encontros/pedidos que nunca se realizam ou são aceitos. É um lugar comum, mas que teve início um pouco depois da minha primeira paixonite.

O problema é que esse amor durou…

Éramos jovens que estavam conhecendo e experimentando a vida pela primeira vez. Ela era dois anos mais nova que eu – o que em determinada época faz TODA diferença de mundo. E ela se apaixonou loucamente primeiro. Lembro que ela fazia cartas românticas com milhares de adesivos ou algo mais criativo (como fechar uma carta com alfinete, porque ela estava sem cola !!!!). Enfim, a paixonite dela era eu e eu não queria aquilo, pois estava querendo o mundo e liberdade dos meus altos 15/16 anos. Daí, dois anos depois, o mundo mudou e ela, com seus 15/16 anos queria o mundo e a liberdade e eu a queria loucamente.

Fomos mais do que apaixonados, mas amigos. Ela foi a primeira a aparecer no enterro da minha vó e ficou ali me consolando quase sem falar nada. Éramos próximos mesmo não falando sempre e mesmo com os mundos e cidades diferentes (nessa altura eu já havia mudado por conta da faculdade), sempre encontrávamos um tempo para nos vermos e aproveitar um pouco este elo criado entre paixonite, amizade, brigas, frustrações e sonhos.

Ela foi a responsável pela Melancholy Sickness (meu antigo blog) e posso dizer, sem sombra alguma, que boa parte dessa arte toda criada foi por causa dela. Ela guiou minha primeira noite em claro. Ela foi a primeira causa de um choro adolescente tão puro, quanto superficial. Ela foi a primeira que me fez descobrir que o “não” pode virar um “sim”, apenas com um olhar. E ela foi a que eu mais idolatrei por muitos anos.

Não lembro bem quando acabou tudo e nos distanciamos oficialmente. Foi esquisito ao ver que a pessoa que havia sido tão presente na minha vida, virou uma sombra esquisita que me fez até esquecer do seu aniversário. Lembrei uma semana depois, mas com vergonha nem quis puxar assunto… Daí para frente, tudo virou um completo silêncio.

Também não lembro como foi que nos reencontramos em 2013. Foi um encontro rápido, uma conversa linda e divertida em um fim de tarde de calor. Duas semanas depois, ela estava em Campinas para passear um pouco e três semanas depois, eu estava indo conhecer seu apartamento novo em São Paulo.

Escrevi aqui que foi um erro ir, mas tentávamos justificar os encontros e tentativas por conta da nossa história e das nossas eternas “faltas de oportunidade” em ficarmos juntos. Ali, já não éramos aquele casal de adolescentes (quase crianças), brincando de se apaixonar… Éramos adultos, formados e trabalhando cada qual em sua área (eu com TI, ela com Medicina) e que nessa fase de “crescer e decidir a vida” estávamos totalmente separados.

Restou a lembrança e um leve arrependimento. Uma noite não dormida, uma mensagem não respondida no celular e uma estrada às 6h da manhã que me fez pensar que, em algum momento da vida, a gente para de amar de verdade…