Tenho saudade de outros lugares, sonho com outros destinos e por mais que tente, nunca consigo pensar que aqui é para sempre…
Falta um local para chamar de meu. Algum lugar que consiga me encontrar e finalizar meu trajeto, minhas incansáveis tentativas. Nasci sem raízes e não fixo em nenhum lugar. Sou impulsivo por mudanças e corro (ou fujo) sempre que percebo o marasmo dos dias iguais. Não fico um dia sem planejar ou arquitetar uma nova paisagem, um novo endereço ou revirar o quarto para soar como novo.
O problema maior é não enxergar uma continuidade. Não consigo planejar algo duradouro. Sei que as faces daqui serão esquecidas facilmente. Sei que nem devo encontrar a menina da flor ou o sorriso sem dentes do bêbado da esquina. Não irei me recordar de como era o cardápio do restaurante e esquecerei o nome daquele que foi meu melhor amigo, mesmo eu sabendo que não era amizade.
Alimento uma saudade que não se explica, mas se recorda. Das ruas calmas, do trânsito, do sotaque carregado, das brincadeiras, das visitas inusitadas, das festas apoteóticas, das bebidas e de todos os esquecimentos causados por elas. Relembro detalhes despretensiosos, mas que causam um sorriso puro e lágrimas nos olhos.
Tento amenizar essa solidão, recriando rotinas anteriores, velhos hábitos, marcas ou até mesmo falando comigo mesmo, revivendo diálogos passados. Tento consertar o que não tem erro e esquecer o inesquecível. Crio promessas vazias de um retorno e de uma eternidade que evaporará nos primeiros raios de sol. Nunca retornei com a mesma vontade. Nunca revisitei os que ficaram para trás no meu trajeto… Mas mesmo assim, tento me fazer presente aqui, mesmo que por um pouco ou quase nada. Mesmo que só hoje, porque eu sei que amanhã minha mala está pronta para partir e eu não vou mais voltar…
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