Há 6 anos eu chegava na Europa cheio de planos mirabolantes e nem imaginando que seria tão difícil…

Lembro a primeira ironia que ouvi, ainda no aeroporto de Lisboa, sobre falar “seis” e não “meia” como sempre falei no Brasil. Lembro como quase todos os planos e sonhos que tinha na mente, foram caindo e morrendo ainda no primeiro ano. Lembro quando fiquei com as malas prontas por duas semanas e tentando de todas as maneiras remarcar meu retorno. Lembro o desespero por perder o emprego e não ter as respostas que eu precisava. Lembro a angústia de ter que resolver o primeiro problema familiar por whatsapp, sem poder estar lá presente. Lembro como eu achava que era a solidão, até descobrir que nunca havia experimentado a sensação antes…

Mas eu driblei tudo isso e ainda continuo aqui. Já mudei 4 vezes de país, já fiz e desfiz as malas. Já aprendi e desaprendi idiomas. Já fiz amigos. Já perdi amigos. Já desisti de muitas coisas. Já conquistei demais. Já lembrei de datas. Já esqueci de datas. Já aprendi a encarar os medos e a conviver com a insônia, ansiedade e frustrações como se fossem melhores amigos – dos que sentamos, bebemos e compreendemos. No final, continuamos abraçados e rindo da ironia dos planos desfeitos…

Mas ainda tem um pouco daquele Matheus perdido de 2017 aqui. Ainda tem um pouco do olhar de admiração para alguma cena cotidiana. Ainda tem um riso solto e fácil por entender tudo o que tem passado pela vida. Ainda tem o mesmo impulso para fazer as coisas acontecerem e gargalhar quando descobrir que não era nada daquilo que imaginei. Ainda tem a sinceridade como convicção. E mais do que tudo, ainda existe um pedaço do Matheus que mentalizou que a vida não seria nem melhor, nem pior, mas totalmente diferente e que pedia um novo livro, não apenas um capítulo, para se contar…

E por isso tudo eu continuo aqui e agradeço diariamente pelas oportunidades que a vida me reservou. E que não venham outros 6 anos, mas que venham os anos necessários, porque eu estarei pronto – ou aprenderei na marra…