O alinhamento se inclina, e o que era inteiro começa a rachar. Há luz e trevas, com um clarão sobre algo que já se apagava havia muito tempo…
Não temos ideia do último adeus — de seu início, de seu meio e, muito menos, se o fizemos do jeito certo…
Houve um tempo em que mandar uma carta trazia alegria…
Os dedos tentam pintar o silêncio que habita nos ossos. Na prisão de vidro, há o eco de um suspiro — nem bravo, nem manso, apenas uma promessa não cumprida…
E gritamos por nossas orações, mas não movemos uma agulha do palheiro que somos. Queremos salvação, mas nos traímos e barganhamos o melhor preço até extorquir o nosso próprio futuro…
A primavera deixou reflexos que antes passavam despercebidos. São pequenos espelhos espalhados no ambiente — e eles fazem o sol de veraneio arder mais fundo, mais cruel…
Queria outro lugar. Precisava de outro lugar. Um lugar novo, com tudo novo, reiniciando do zero — pela milésima vez — já que todos os seus planos falharam, como sempre…
Havia aquela alegria que se veste de riso alto, mas, por trás dos metais, sussurrava uma angústia velha que ria com os olhos fechados…
A cidade já acordava torta. Um bafo quente de concreto, suor e desespero. Cheirava a noite mal lavada, com gosto de vodca ruim, cigarro barato e promessas que ninguém quis cumprir…