As vezes ainda me forço para voltar pelo mesmo caminho que fazia quando ia te levar na sua casa…
Não sei a razão, mas durante aqueles meses que saímos, eu sempre te levei pelo mesmo caminho. Independente se saíssemos do outro lado da cidade, eu voltava pelo mesmo lugar conhecido e refazia o caminho para a sua casa. Sempre lembro como você sorria ao passar pelo primeiro bar que a gente foi – sem querer ele era parte do caminho. Inconscientemente você apertava lentamente a minha mão naquele instante. E eu sabia que seria o exato ponto que eu me lembraria de você.
Toda vez eu tentava mentalizar outra imagem, uma piada além, a sua cara logo após um beijo, o jeito que você entrava no carro ou até mesmo o seu perfume. Nada sobrou. Mas aquela sensação de aperto na mão se manteve – como uma praga, mas uma forma de eu saber que tudo aconteceu de verdade.
Na semana passada eu passei pelo mesmo bar, estava sozinho no carro e sem querer tocava uma música que eu sabia que eu tinha te apresentado pela primeira vez. Eu nem sei mais nada de você, mas eu sabia que aconteceria hora ou outra…
Minha mão estava pousada no banco do carona e, sem querer, me vi fechando-a para que pudesse reviver, de certa forma, por um segundo e nada parecido com a sensação real que vivi anos atrás, aquele seu aperto em minha mão…
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