Ela prometeu que escreveria um dia. Assim, todos os dias ele checava a caixa do correio na vã esperança de ter a carta prometida…
Era para ser uma cena cotidiana normal, mas para ele era algo entre o desejo e o desespero – a causa de uma esperança morta a cada dia. Na mesma velocidade que nutria os desejos de ver uma carta em sua caixa de correio, trazendo toda uma nostalgia de uma adolescência recheada de poemas e versos escritos com um amor impossível – e indescritível, ao mesmo tempo toda essa esperança era sepultada segundos depois de comprovar que nada havia ali. Aquela caixa estava vazia há tanto tempo, que nem ele mais se lembrava de como era o formato das cartas…
Assim ele seguia. Sem saber muito bem a razão, mas acreditando que ela nunca mentiria e um dia iria escrever para contar dos seus momentos, de uma possível saudade ou até de uma lembrança de algo que passaram juntos naqueles meses de um verão longínquo e intenso.
No meio tempo ele tentava se curar dessa falta. Tentava se curar de uma solidão imposta que ele fingia não doer, mas já não se importava das marcas que aquilo lhe causava. Nas tardes chuvosas, cada vez mais constantes, ele escrevia seus poemas rasos. Colocava todo uma dose de clareza, suor, beijos prometidos, mãos entrelaçadas e um sol tão forte que lhe queimava a pele de tão intenso que ele transcrevia em sua poesia…
Assim ficava exausto e dormia. Sonhava com a carta, com o traço de uma letra que ele nunca havia visto, mas imaginava mil formas. Com o cheiro do papel, do atrito da caneta e de como ela terminaria… Com amor? Saudades? Da sua eterna?
Dormia sonhando com isso e acordava com a esperança de ter algo novo, mas sabia que o ciclo iria recomeçar novamente…
Conte-me algo aqui...