Ele tinha começado o seu caminho sem volta. A definitiva promessa de mudanças que há décadas levava em um papel já amarrotado em seu bolso…

Cambaleou de um sono leve e confuso, mas ajeitou como se pode e depois de uma ducha fria para o horário se sentiu preparado. Ajeitou a pesada mochila e tentou adequar os seus planos entre seus próximos passos. Saiu quando a noite ainda era vistosa e pesada. Cruzou por bêbados e histéricas risadas confusas, mas seguiu o caminho que não tinha setas ou disposição, apenas uma direção norte coberta por uma extensa neblina fora de época…

Não demorou muito para tropeçar entre parábolas e teve que refazer todo o conjunto de ideias e peso. Eram os primeiros quilômetros de uma longa jornada. A chuva começou a cair, meio que um convite para a desistência e um retorno para o conforto dos anos anteriores, mas ele secou o suor, fechou mais ainda o casaco e apenas olhou para frente…

Se perdeu em alguns momentos, mas não teve medo. Foi deixando as preocupações e um punhado de falsas alegrias para trás. Liberou um peso extra nas paradas que fazia e continuava seguindo. Sentiu sede, dores e cansaço, mas nunca medo… No meio de tudo já não lembrava dos primeiros dias e de como os tropeços aconteceram ou como foram causados. Já sentia um novo horizonte se aproximando…

Quando ousou definir seu destino final, uma chuva torrencial veio a seu encontro. Sorriu. Gargalhou como um louco alucinado. Deixou tudo cair ao chão, olhou para o céu e entre lágrimas e um rosto aliviado, continuou agradecendo… “É o banho final, obrigado!” urrou ele em meio à um povoado pequeno que ainda dormia e tentava se proteger o máximo possível da fria tempestade.

E ele continuou caminhando, porque agora o passado já não lhe servia e ele apenas tinha que continuar seguindo em frente, até o sol aparecer em seus passos…