Ele desistiu de apressar os pontos de sua rotina para parecer ocupado demais…
Não havia razão para apressar algo e ter mais tempo sozinho no passo seguinte. Era assim e sempre seria. Suas atividades eram praticamente um monólogo sem plateia e sem aplauso nos causos que criava em sua mente. Repetidamente caminhava em círculos criando situações aleatórias e se cansava por ele mesmo falar demais e se perder do ponto inicial. Ele imaginava tanta coisa, que se tornava massivamente cansativo e logo desistia da ideia, sem nem lembrar a razão de tê-la criado.
Fazia seu café, pegava as pílulas diárias – que aumentavam de quantidade a cada ano que passava – sentava na mesa e comia seu pão. Lavava a louça, apenas para ter a sensação que estava tudo limpo e arrumado se fosse receber alguém naquele dia. Era o que imaginava, mas não tinha nenhuma esperança que fosse acontecer. Tomava seu banho, falava sozinho, criava histórias aleatórias e começava a beber cada vez mais cedo.
Embriagava-se de tanta coisa que se divertia ao não lembrar. Postava fotos aleatórias para sustentar aquele mundo que as pessoas já percebiam ser falso e vazio demais. E dormia sonhando com possíveis reviravoltas que fossem trazer uma onda de alegria, em um mar que há anos era repleto de frustrações.
E toda aquela rotina se reiniciava, quando o despertador tocava cedo demais. Esse era o único ponto da vida apressada que ele queria viver e que não conseguia se desfazer…
Conte-me algo aqui...