A voz que sai da caixa já é desconhecida para mim. O ritmo se foi, o jeito de cantar e encantar está adormecida em algum lugar da minha vida passada…

Lembro das tardes que a mesma voz embalava meus sonhos mais mirabolantes. Como guiou as minhas loucuras e me deu o impulso final para as minhas primeiras mudanças. Foi a voz que me fez companhia quando senti os primeiros toques da solidão nesse caminho de vida que eu decidi. Me perdi em quilômetros conhecidos, ganhando horas e perdendo dias. Vi paisagens inteiras mudando e fiz amizades que poderia escrever um livro, mas com apenas um capítulo – porque se foram, como eu me fui. Como tudo se foi…

E como tudo mudou. Lembro como o ritmo embalava meus passos, mas agora já parece fora de esquadro ou até mesmo de conjunção comigo. Talvez eu tenha envelhecido ou me tornado o cético que tanto criticávamos – eu na minha vida, eles naquelas canções. E é impossível apontar um culpado, pois seria tão criminoso quanto errado.

E assim, depois dos três minutos e vinte e sete segundos, a música terminou e eu me senti mais aliviado de trocar aquela que foi tão importante, mas não parece caber mais no meu sorriso e muito menos me acompanhar nos passos da vida de agora…