Não consigo lembrar quando me acostumei com o silêncio ao não receber nenhuma resposta às minhas saudações…

É um choque cultural que acontece com todo mundo quando se chega por aqui. Saudamos as pessoas próximas ou que cruzamos e não recebemos resposta. Acontece em todos os lugares – desde rua, academia e até trabalho. O tipo de contato é diferente e as pessoas não estão acostumadas com esse nível “extrovertido” – o que chamamos de educação.

No início me choquei com as ignoradas. Não conseguia compreender e continuava sempre, porque sou teimoso, saudando todos as pessoas que rotineiramente cruzava – no ônibus, na academia e com vizinhos. Demorou muito e comecei a ter poucas respostas – nunca chegou perto dos 100%, mas toda pequena mudança já era uma vitória.

Depois me cansei. Sabe quando esforço não vale a pena? Pois é… Foi algo assim. E aí veio o silêncio e eu me acostumei com ele. Não me incomoda mais. E muitas vezes passa desapercebido e eu mal noto que ele existe por aqui.

E o pior é que esse tipo de silêncio sempre me incomodou, mas não agora. E me incomoda não me incomodar. Porque essa situação vai contra tudo o que sempre lutei e fui educado para evitar. É uma ação que eu sempre fui a reação para que houvesse esse “esforço” da minha parte…

Mas me perguntaram quando foi que eu tinha “perdido essa chama” que sempre queimou em mim e eu não consegui responder.

Não sei se foi por conta do frio que me incomodava mais. Não sei se foi por causa das angústias que me alimentavam entre tantas noites em claro e desafios que pareciam infinitos. Não sei se foi pela intensidade que vivi certos momentos que gastei a energia para me manter vivo e deixei passar essa parte das minhas origens.

Não sei.

Pode ter sido um misto de coisas ou nenhuma delas. Pode ter sido uma razão que eu não enxergo, mas que é tão presente quanto esse silêncio que não me incomoda mais. Pode ser que eu tenha seguido o mundo exterior e mudado tanto que nem mais pareço o mesmo.

Pode ser tudo. Pode ser nada.

E essa é apenas mais uma das respostas que eu não sei responder. Justo eu que sempre tive resposta e explicação para tudo que passava por aqui – veja quantas mudanças que eu nem controlo mais…