Ainda era a mesma cidade de antes, mas por algum motivo ele finalmente se sentiu incomodado por estar ali…
Já não tinha o sentimento de pertencimento que nutria nos anos anteriores. No pouco tempo que viveu ali, desfrutou do que podia, entendeu muito mais do que esperava e saiu meio sem dizer Adeus, como era seu normal. Dizia que nunca era um Adeus, mas sempre um “Até Logo”, visto que o futuro poderia lhe trazer novamente para aquelas ruas…
Mas ali estava ele, reclamando das subidas intermináveis, das regras não escritas, mas seguidas, que teria que cumprir e daquela aura irresponsável que flutuava na cidade. Todas essas coisas foram seu combustível no passado, algo que o fez ter um carinho por ver que aquele caos funcionava tão bem. Mas agora, ele conseguia ver claramente que não…
Aquilo tudo se transformava em uma utopia fraca e rasa. Uma desculpa serena para os erros da vida e uma fuga para os que sabiam que fora daquelas ruas alcoolizadas, o fracasso era certo e não estavam prontos para a vida real. Sendo assim, retroalimentavam essa fantasia cara e se apoiavam uns aos outros, simplesmente pelo fato de ser a única coisa que possuíam…
Ele se embriagou pela última vez sozinho – como sempre havia sido naquela cidade que ele gostava, mas que ninguém gostava de volta. Ele jantou parecendo maravilhado com a comida, mas sabendo que todos o olhavam como um completo estranho. E logo depois entendeu que deveria ir.
Ele arrumou sua mochila e saiu ainda de madrugada da pousada que estava. Pela primeira vez em todos aqueles anos, caminhou pelas ruas e não sentiu nenhuma alegria. Reconheceu pontos que conectavam histórias e situações, mas sem despertar nenhuma boa recordação. Caminhou até o limite da cidade e, olhando para trás, finalmente disse “Adeus”, sem agradecer especificamente porque havia se cansado de ter carinho por algo que nunca demonstrou um pingo de reciprocidade. Continuou caminhando para longe e deixou, para sempre, aquela cidade da sua vida…
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