Chego aos 40 anos de idade. Quatro décadas que são celebradas de uma maneira um pouco diferente da pensada…
Completo hoje meus quarenta anos de idade. E mentiria se tinha pensado que estaria “quarentando” por terras barcelonesas. Mas a vida sempre se mostrou dinâmica o suficiente para eu não planejar muito e deixar me guiar sempre para os lados que o vento soprar. E chego hoje nessa data significante, mas sem nada de especial. Por ser uma quarta-feira normal, desisti de fazer qualquer tipo de celebração ou festa maior. Estamos quase na pascoa e de verdade que não estou em clima de festejos ou sociabilidades. Irei caminhar por aí e treinar para o meu “presentão de tiozão” que me dei mentalmente, mas que contarei mais para frente. De resto, apenas a rotina diária e uma cerveja para dizer que fiz alguma coisa – e dormir cedo, afinal o relógio gritará antes das 5h da manhã….
Mas voltando aos quarenta anos, é meio automático eu tentar fazer uma conta mental de tudo o que rolou nessas décadas. Quantas mudanças, quantos destinos diferentes, quantas vitórias, quantas derrotas e quantos aprendizados e lições não tiramos disso tudo – lições essas muitas vezes pesadas que custaram até os cabelos (que já quase não existem).
Outro dia, no meio de uma caminhada com minha amiga Anna, comentávamos “de verdade que não sinto a idade. Muitas vezes eu ainda me imagino bem mais novo que de verdade sou…” e concordamos que nos vemos completamente diferente do que o mundo nos enxerga – e isso para o bem e para o mal. Ainda me vejo aquele adolescente meio perdido no mundo e com receio de virar a próxima rua sem saber o que fazer… Mas para o mundo ao redor, já sou um tiozão careca, carregado de marcas da vida que com certeza já passou por muitos lugares… É interessante esse contraste, pois é como não se reconhecer no próprio espelho. Ou não enxergar tudo o que realmente somos por aí.
Sim, é um papo filosófico de meia idade, quase uma crise existencial. Mas que esse cara de Santos, que pouco antes dos 18 foi para Campinas. Depois foi para o Rio de Janeiro, voltou para Campinas, foi para São Paulo, voltou para Campinas, tentou se firmar “para sempre” e, no meio do redemoinho, decidiu ir arriscar uma jornada na Zuropa. Dali a loucura continuou com Coimbra, Dublin, Lisboa e, finalmente, Barcelona – onde ele aprendeu a nunca dizer “para sempre”, porque sempre que ousou falar essas duas palavras em voz alta, Deus riu e se abanou, fazendo aquele moleque do “013” voar para outros destinos.
São 40 anos alegres. Bem aproveitados e que, se por acaso, as luzes se apagarem, será com a alegria e certeza que tudo foi feito da melhor maneira possível e com a melhor das intensidades existentes. Não sou louco de sonhar com outros 40 – Eu não tenho condições para isso, mas sou sincero e transparente por agradecer todos que me ajudaram a chegar até aqui – da família aos amigos – com saúde, poesia e disposição. Muito obrigado! Esse é meu maior presente.
Parabéns para mim! Parabéns quarentão!
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