“Você sabe até quando ficamos juntos?” foi sua primeira frase da primeira manhã que acordamos juntos…
Chovia forte naquela manhã e eu sorria ao te ver acordando e ajeitando o cabelo, prendendo atrás da orelha, apenas dois segundos para ele cair de novo no seu rosto. Eu sorri…
“Tá rindo por que tá pensando?”
“Não, rindo porque acho que foi a primeira coisa que gostei em você…”
“Minhas perguntas?”
“O jeito que seu cabelo cai, segundos após você ajeitar…”
“E eu do seu sorriso…”
“Combinamos nisso então…”
“Poderíamos criar um ranking de características amadas e odiadas”
“Acho que paro em duas linhas – sorriso e coxas”
“Que minimalista…”
“Aí são seus pontos sobre mim já?”
E me levantei para ir pegar algo para comermos na cozinha, enquanto você checava as mensagens no celular…
“Se eu soubesse que teria um sorriso, um café na cama e uma meia resposta, eu não demoraria tanto para dormir contigo…”
“Uma não resposta, não é uma meia resposta. É apenas uma não resposta… Porque eu não sei, nunca pensei e nem sei se deveria ter pensado.”
“Adoro sua sinceridade bruta, sabia?”
Você disse enquanto tomava o suco de melancia – eu devo admitir que detestei o sabor e ainda bem que você trouxe e tomou inteiro.
E comemos na cama os sanduíches e doces. Sem uma outra palavra pessoal, apenas diálogos soltos de um pseudo casal.
Você foi lavar os pratos quando meu alarme tocou – faltavam 53 minutos para o futebol.
“8h17, legal… O meu semanal é 6h38.”
“Mais uma combinação – devemos transcorrer sobre esse tema mais vezes”
“Que horas é o polo aquático?”
“9h…”
“E o almoço está de pé?”
“Se você ainda quiser…”
“Desculpa?”
“Pelo o que?”
“Pela pergunta. Tanto faz, vamos ficar bem ok?”
“Não estou nem um pouco preocupado. Você está?”
“Não, mas meu defeito é esse – eu penso e falo. E cara, não né?”
“Sim. Não…”
“Você vai ser famoso com essas respostas com antônimos, sabia?”
“É que você nunca leu meus textos.”
“E será que um dia eu estarei neles?”
“Espero que não…”
“Por quê?! Não mereço nem uma poesia barata, com rima fácil tipo chiclete de canção cafona?”
“Talvez um livro, né? Mas acontece que meus textos são tristes. E eu não gostaria de ter algo triste para escrever sobre você. Até como você mesma disse… Não né?”
“Talvez Má, a tristeza aparece quando aquela resposta fizer sentido…”
“Pode ser, mas talvez eu não lembraria da pergunta ou não conseguiria ligar a resposta ao contexto inicial…”
“É. Quando a resposta vier, a gente já vai estar longe…”
“Uau… Mas talvez eu não escreva para você. Me desculpa?”
“Tudo bem. Me manda o link… Quero discorrer sobre o tema durante o almoço…”
“Talvez faça mal para a sua digestão…”
“Por que só a minha?”
“Eu já estou acostumado né linda?”
E fui me arrumar para o futebol. Descemos juntos e te segui até a segunda avenida. Você foi para a esquerda e eu para a direita. Ri dessa imagem e hoje, mais de dois anos depois, eu tenho a resposta, que não faz nenhum sentido. Chegando ao futebol, te enviei o link daqui para que lesse todos os meus devaneios em forma de texto…
“Vou ler agora, cuidado com a chuva e não se machuca. Quero você inteiro para a tarde…”
“Mas a ideia é me estraçalhar para ter cuidados especiais…”
“Esqueceu que o senhor remédio aqui é você…”
“Isso quer dizer que você não vai me ajudar?!”
“Engraçadinho… Não vai ser legal o boteco se você ficar se contorcendo de dor, só isso…”
“Eu sobrevivo… Fica tranquila”
“Começo por onde?”
“Escolha aí… Tem pouca coisa…”
“Contos… Gosto de contos”
“Boa sorte… Vou jogar!”
E sabia que o almoço seria bem interessante…
Conte-me algo aqui...