É um ciclo vicioso que nunca se fecha. Um eterno início-meio-fim que se repete sem freio…

Como uma anedota mal contada e sem graça, mas que perpetua mesmo sendo fora de contexto e de perturbadora presença. Quando tento escapar, já percebo suas nuances que me levam ao início de tudo. Uma redundância que iniciou na primeira faísca do pecado. Sem entender muito da razão e nem pensando que ele seria eterno em sua plenitude…

Foi uma paixão cruel, infantil e sem futuro. Me apaixonei por uma tarde de verão, um meio sorriso, meia dúzia de músicas e o desejo adolescente de apenas beijar alguém. Dali eu me apaixonei e comecei a poetizar o que deu errado. Depois eu saí com a menina que meu amigo conheceu, mas que se apaixonou por mim. Brinquei com um sentimento que eu também sofria e nem imaginava o tamanho. Depois essa menina cresceu e não quis mais saber do amor, justo momento que eu me apaixonei perdidamente por ela – e me vi obrigado a criar um novo enredo para poetizar as desgraças da vida…

Dali para as mentiras, traições, histórias mal contadas e outras mal resolvidas, foi um pulo. Certa vez, eu apenas cansei e supliquei por uma vida normal – fora de contexto, banal no seu propósito e incompleta na sua razão. Mesmo assim, não fui atendido e continuei peregrinando… Sendo um ativo em movimento. Seduzindo, dando prazer aqui, fazendo rir ali e nunca ficando mais do que o previsto. Hora dessas já tenho que partir, pois o ciclo logo irá reiniciar e poetizarei pela milésima vez a falta de rumo de um coração solitário…