Eu tenho uma enxaqueca das ideias que me fizeram ficar parado no tempo. Tenho dúzias de cartas que nunca consegui enviar. Tenho pesadelos com o silêncio que se instaurou por estes cantos…
Ali estava em minha primeira sessão. Me ajeitei da melhor maneira possível e não pude deixar um leve sorriso irônico brotar no meu rosto. Eu jamais me imaginei naquela situação…
Sou como todos os que passam por mim: tenho anseios, sonhos e brinco de que a vida seria melhor do lado de lá. Mas sei que o “lado de lá” é tão frágil quanto um cristal caindo do décimo andar…
Talvez fosse aquilo que chamam de fundo do poço. Não tinha mais energia para a rotina, não tinha mais chama de alegria e algumas vezes sentia meu coração palpitar apenas de pensar no dia seguinte…
Ela trazia uma mala de sonhos em forma de planos abstratos. Um coração aberto para o novo, esquecendo um passado recente que atormentava seus pensamentos…
A chuva de quarta-feira tinha o peso de um segredo revelado e o cheiro de asfalto úmido que limpa a poeira das mágoas…
Preciso de uma sutileza que acalme meus pontos soltos de distorção…
Ela escrevia um diário com a própria letra. Deixava as ideias fluírem por uma semana completa e assim revivia cada momento para detalhar perfeitamente todos os acontecimentos…
Quando a escuridão cai sobre todos os predicados que você considerava fortes o suficiente, o mundo desaba por completo…