Essa foi uma das últimas conversas que tivemos. Éramos apenas esses novos adultos que pensavam demais e achavam que sabiam de tudo…
Este seria o nosso momento mais completo — a soma de tudo, a beleza de ter uma data com significado na nossa vida.
Ele sempre sonhava, mas nunca se lembrava dos seus sonhos. Acordava com uma pontada na cabeça e um apagão na memória tão corriqueiro que já era seu despertador natural…
Estamos doentes aqui, cercados por perguntas que giram em círculos, enquanto as respostas escorregam pelos dedos como areia molhada…
Síndromes atacam os ferozes sentimentos humanos. Cordões tentam guiar almas pelo atlas do mundo…
Talvez tudo isso que chamamos de vida seja um jogo, sem regras claras ou finais gloriosos e de sucesso…
A cidade acorda com hálito de fritura fria e silêncio suado. O sol espreita os cantos como quem não quer ver, mas vê — o papel engordurado de um pecado carnal que antes ousávamos esconder mais…
Era uma rosa — mas não daquelas que se oferecem nos buquês chiques das grifes de estandarte. Era uma rosa espelhada, feita de reflexos partidos e vontades caladas…
Não restou ninguém. Apenas o tilintar da memória arrastando correntes no chão molhado da minha mente…