Outro dia entrei em uma conversa da qual sabia que sairia alguma discussão perdida…
Ela me olhou nos olhos e perguntou se podia me beijar. Uma pergunta estranha, com certa inocência e solta como uma ponta de nó infantil…
Abro este caderno de recordações em um profundo céu azul sem nuvens. Em alto-relevo estão todas as passagens e marcas deste carrossel cigano que foram meus meses descritos…
Existiu um tempo alegre. Um tempo simples e ingênuo, que se completava apenas pela simplicidade de existir…
E assim começamos mais um ano com a magia de que tudo é possível, e tantas novas oportunidades surgem no nosso horizonte…
A casa vazia de agora não contrasta com o frenesi de horas atrás. A porta aberta, a saída antes do almoço e o aviso de adeus…
“Traga-me o horizonte pela manhã, pois quero ver o que conseguirei ter com ele…”. Foi assim que a carta, amassada e esquecida pelo tempo, terminava em seu rodapé…
A fúria de incontáveis aumentos de tarifas é parte da explicação do porquê vivemos nessa perdição vaga, onde há apenas destruição…
E assim vemos as luzes piscando em fachadas e vitrines, como se cada lâmpada fosse a promessa de alegria que falta no nosso cardápio…