Era uma manhã fria de primavera. O vento gelado o acordou e fitou a penumbra do quarto, que ganhava as cores do dia que começava a surgir e o atropelava com seus pontos cruciais…
Ouvi negações antes das afirmações que trazia comigo, mas deixei passar porque as buzinas de protestos pediram passagem antes de qualquer objeção…
Eu te amo mais do que letras podem contar. Eu te amarei até o último suspiro existir neste mundo e em meus sonhos mais básicos…
Cada visita era a mesma rotina, ela simplesmente irradiava a alegria de ver o sol novamente e não se importava com o calor ou a umidade que beirava o quase insuportável…
Ela mais uma vez se cortava com os cacos espalhados no chão. Quase já não ligava para a queimação do sangue escorrendo e a dor que vinha na sequência…
Depois de tanto sangue e verdade derramados entre os trilhos dessa vida, eu limpo tudo e sigo com minhas próprias feridas…
Poderia ser uma tatuagem daquelas que se apagam com o tempo. Poderia ser uma promessa de fim de carnaval…
Os gritos ensurdeceram o corredor estreito daquela casa. Os cravos brotavam pelos cantos, mas morriam da asfixia daquele predicado cruel…
As folhas caem como sempre fizeram nessa época do ano. O ar é mais frio, cortante em certos momentos, mas ainda assim melhor do que antes…