Eu ainda esperava que o interfone fosse tocar e sua voz mandasse abrir todas as portas por aqui…
Nessa mesma data no passado tudo era tão diferente. Era um outro tempo que a normalidade feliz ecoava em outras paredes…
Encontrei as velhas lembranças, escritas nos amorosos anos passados. Lembranças que brindavam o platônico e a descoberta do mundo da liberdade…
Um recado deixado na caixa postal da vizinha fez aparecer uma nova luz de esperança por aqui…
Eu me apaixonei pela sua voz. Da foram que você ria tão leve e livre depois de uma piada qualquer…
A descrição falhou nos minutos finais. Trazendo à tona algo desconexo, uma criatura bizarra, sem molde e perpétua…
Falavam que eu cantava palavras, rimava a vida, transcrevia os sentimentos com a intensidade bela e rendia o fruto de um mundo mágico para eles…
É da razão da chuva, que se transforma o sabor do orvalho… Das pequenas pétalas, que pintamos os melhores cartões postais… Das inúmeras feridas, que se cria um coração…
Ao caminhar por entre os caminhos da comparação e transformação, descobri meu significado criativo, meu motivo e minha busca. Dos meus olhos não acostumados, consegui enxergar uma pureza abstrata e nela consegui introduzir a paixão desvairada.
Com palavras soltas, criei as poesias que me definem e me explicam. Em campos abertos, encontrei um lugar pequeno para meus maiores sentimentos e, sem clausura, consegui ditá-los para o infinito silêncio. Se hoje carrego certa experiência, minha bagagem era leve no começo e pude coletar o volume máximo de imagens e de situações…
E disto, olho para um horizonte bilateral e enxergo um oceano inteiro de inspiração para a vida… Deixando estas frases, soltas pelo caminho para aqueles que ainda procuram respostas…