Há três anos cheguei por aqui. Com as famosas duas malas com roupas e uns muitos planos que trouxe também…

Há três anos eu iniciava uma epopeia que sempre desejei, mas que já havia perdido as esperanças em ter. Cheguei sem saber muito o que esperar e sem planejar muito as questões culturais que me socaram na cara logo nos primeiros minutos. E sempre lembrarei de como começou.

“É seis, certo? Meia é o que tu tens nos pés!” quando falei meu telefone para deixar registrado no sistema de locação do carro…

Hoje eu falo meia ainda, dou risada e “corrijo” as vezes. Apenas as vezes.

Três anos eu descobri como tentar conviver com frio, mesmo tendo vindo quase na primavera. Pela ironia, depois vivi no frio de verdade. Três anos eu pensei conhecer a maior dor do universo, mas depois vi que ela durou apenas dois meses… E meu joelho me ferrou muito mais, no Brasil, e demorou seis meses para não doer mais. Três anos que eu vivo uma intensidade de relacionamentos que nem consigo explicar. Tudo vem e vai de uma maneira tão surreal que machuca demais pensar…

Três anos de um total que não sei explicar ou enumerar. Não sei se será eterno ou se será até o próximo mês. Três anos que já mudei e mudei e mudei – de País, de prédio, de quarto, de cidade e até de trabalho. Três anos que alguns planos mudaram e se adequaram, enquanto tantos outros naufragaram sem dó ou saudade.

Três anos que conheci tantos lugares, mas ainda nem perto da metade que eu planejava ver. Mas isso não é algo ruim, apenas um motivo para ficar, para planejar, para sonhar e viver. E que eu viva para contar dos quatro, cinco, seis ou o número que me for permitido ficar por aqui e viver…