São de perda, de saudade, de alegria, de vitória e até da curiosidade entusiasmada. Misturam-se como um drink batido e cada sabor ganha o paladar um momento…
Embebedo-me de cada substância sorvida, a respiração oscila de acordo com a força de cada uma e o coração acelera a cada gole nervoso. É impossível definir cada qual em sua cor, pois esta é uma aquarela borrada e tudo está negro como o pesadelo de antes, daquele passado que não quis sair da mente. Anos atrás a perda tomou conta de todos os sabores, não havia espaço para nada. O seu efeito foi longo, mas não infinito. Foi forte, mas não completamente eterno. A perda volta sempre nos mesmos momentos, mas hoje aparece acompanhada de outros sentimentos. Combina-se com a saudade, com a depressão, com a aflição de não saber o que o destino programa e até com o medo – que mudou bastante de forma e figura.
Bebo, pois a sede é maior e seu efeito é progressivo. Até o meio do copo, o dia passou e a noite traz o sono pesado e regado com sonhos estranhos, desconexos e sem mensagem alguma. Um sono perturbado, agitado e que fazem o corpo suar e acordar antes do sol nascer. É a angústia das lembranças e a promessa de um novo dia que fazem a aquarela mudar e encher um novo copo de sentimentos…
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