Ela dobrava e redobrava o papel da mesma forma há tempo demais. A folha estava toda machucada e marcada demais…

Era fácil perceber que havia aflição, raiva, apreensão, medo e esperança naquele papel dobrado. Sim, todos os sentimentos juntos e misturados em uma forma simples. A raiva marca demais, mas as dobras ainda tinham um carinho da esperança que a mensagem ali dentro mudasse o presente e transformasse o seu futuro. Daí o medo e a apreensão que gladiavam entre as diversas possibilidades, respostas e compreensões que poderiam surgir a partir daquele momento…

Ela guardava aquele papel da melhor forma possível. Em um lugar seguro, que ela se lembraria facilmente, mas que estava fora da sua visão – para que seu coração e sua mente pudessem descansar durante as diversas horas do dia. Mas ela tinha o hábito, por vezes muito errado, de refazer todo aquele ritual horas antes de dormir. Assim, dependendo do dia, ela dormia com o medo do futuro sozinha ou com a esperança que tivesse uma companhia a esperando depois de um dia complicado e que pudesse sorrir, por saber que tudo ficaria bem no final…

A mensagem era simples, direta e escrita em letras trêmulas: “Eu sei que você não me ama, mas você me ensinou a te amar tanto, que eu quero te ensinar o mesmo para que possamos ser felizes juntos. Aceita?”