Trancou a porta do apartamento e desligou o celular. Ele precisava do silêncio para recarregar suas energias e reencontrar seu caminho…

Ele não era antissocial, mas precisava, de tempos em tempos, estar apenas consigo. Tomou um banho gelado no escuro, enquanto descongelava a pizza da semana passada. Abriu uma cerveja e buscou um filme de ação qualquer que estivesse no programa de streaming. Não prestaria atenção. Apenas daria algumas risadas quando o álcool batesse no seu corpo e a cena fosse bizarramente impossível de existir. Terminou a pizza e se sentiu na necessidade de abrir outra mais forte. Não satisfeito se serviu de um whisky na sequência.

Desmaiou no sofá sem compreender o que se passava ao redor e foi acordado pelo sol na cara e o estômago reclamando. Bebeu água pela manhã e viu mais três filmes, enquanto curava a ressaca anterior com uma vodca coca e muito gelo.

Ligou o som alto e não se importando com o erro das letras ou o acaso das músicas que tocavam, trazendo lembranças de alguma situação passada que sorria pela inércia de novidades.

Dormiu no meio da tarde depois de terminar mais alguns pedaços de pizza e acordar com um grito de gol de um campeonato que ele não acompanhava… Ele sorria pelo descanso mental que passava.

Havia dias que ele precisava recarregar suas energias longe da conectividade moderna. Ele apenas queria ficar bêbado sozinho, enquanto disfrutava de pensamentos diversos e aleatórios. Ele não estava doente, apenas precisava de um final de semana de silêncio físico e não pensar em comissões, obrigações ou necessidades sociais.

Era sempre assim. Ele acordaria na segunda-feira, faria a barba para livrar a cara decadente e sorriria, como sempre fazia, de forma leve e sincera. Porque estaria feliz de verdade – como ninguém poderia imaginar que ele poderia ser feliz completamente sozinho e em silêncio…