Um abraço dado no amigo de longa data e ajustei a cadeira da mesa do boteco…
O garçom trouxe a cerveja e quis saber como era a vida do lado de cá. Já fazia parte do senso comum. Explicar o inexplicável para as pessoas que sempre fizeram parte da minha vida… Era uma prosa interessante. Contar os causos, os percalços (porque eles são muitos), as formas diferentes, o jeito que nunca se adapta, a rotina que se perde, o ideal que muda e os planos que não se concretizam e evaporam para dar lugar aos outros tantos que morrem antes mesmo de nascer. É um monólogo cansativo, em vezes até decorado, mas que entre uma cerveja e outra, fica interessante.
Nunca gostei de contar minha vida. É uma confissão interessante mesmo. Tenho uma terrível dificuldade em contar os detalhes mais obscuros da minha vida. Por isso escrevo. Por isso crio esses enredos “impessoais”, mas que carregam os sinais de quem eu sou ou penso ser. O problema é que aí o monólogo acaba ficando perigoso demais. Desse perigo todo, a fragilidade aumenta e eu danço na linha tênue de criar uma história interessante.
Foi assim a maioria das noites no boteco. Uma história aqui, uma lembrança ali, uma dúvida respondida e uma porção de lembranças que trouxeram a leveza necessária, para aliviar as tensões do ano que está terminando.
Algumas perguntas ficam sem respostas, por simplesmente eu estar tão perdido em meus passos que os escorregões não me deixam firmar a vida e programar os próximos objetivos. Eu escolhi viver de uma maneira justa. Trabalho, aproveito o existente e tento sobreviver a solidão que me acompanha por lá. A vida aqui tem calor, tem conversas banais, tem cerveja e um monte de comida generosa… A vida lá é um mundo novo que eu desconheço os pontos e danço sem swing suas lutas encenadas. Apanho muito e tenho vontade de desistir…
Na verdade, nem penso muito em desistir, mas conto os dias para estar aqui de novo. No boteco, contando coisas impessoais e criando as histórias e causos perigosos sem tentar ser repetitivo. Sei que o nível de carinho diminuiu, mas isso é papo para outro texto… Por agora, eu só quero terminar o copo e rir do que acabei de lembrar…
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