Vivendo pelos pertences jogados na estrada do viver, as migalhas de sentimentos são os alimentos…
E já foram um banquete de pássaros e humanos, regados com a pura lira e o concerto bonito de números aleatórios. Identidades queimadas, vidas arrancadas, desespero anatômico. Talvez se o amor não fosse o regente-mor existiria a alegria como parceira. E mesmo assim o caminho continuou, intenso e uniforme, com todas as características aquém universo. Medidas, paradigmas, fotos e vinil. O acervo romântico não tinha espaço para mais nada – estava completo e saturado. Todos amavam demais, eram românticos demais, poéticos demais…
Faltava um pingo de realidade, um pingo da pinga mais artesanal. Faltava o choro do não correspondido, o choro da despedida quando se estava só, o platonismo imperial… Faltava um pouco de vida no mundo. As cores eram apenas alegres, mas se esqueceram das tristes. E foi ali que começou a angústia…
A saudade de sofrer, de viver e não saber se está certo ou errado. Começou ali a desmoronar a, até então chamada, linda perfeição. Nem deram atenção… Talvez pelo fato da embriaguez acentuada, da cegueira nos olhos e de nunca terem entendido realmente o que fosse amar. E assim mais um canto enterrado com vida indigna, no mundo de imagens alegres onde a tristeza é vista como demônio e repudiada da existência alheia.
E o poeta ficou no caminho alimentando-se da sobra do mundo cartesiano.
PS. A frase de título é exatamente da música “Maconha” do Ventania – Todos os créditos ao poeta.
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