As peles deixaram marcas no corpo virgem de aprendizado, sereno pela brandura, porém perverso pelo olhar…

Os sonhos desenhavam planos perfeitos na mente jovial, porém a realidade era implacável na realização e nunca me deixou sentir o gosto de um gozo pleno. Sinceridades à parte, encontrei-me sempre no lado escuro da vida… Remoendo sentimentos, buscando respostas, caminhos ou cantigas para exemplificar o sofrimento carregado. Nunca achei e nunca aprendi como deveria ser nesta descrição. Por conta disso, passeei pelos moldes, escolas, mestres e manuais… Criei algo da mente, criei uma vida em palavras, amada e odiada, ovacionada e vibrante…

Nunca cheguei perto da cruel realidade, porque me disseram que a vida era poesia barata, esdrúxula, fria e incalculável… Sempre pensei diferente e por isso, para minha morte, eu ditei palavras que ficaram boas em um soneto livre, pois nunca me ensinaram como eu deveria ser para isso…

E terminei minha vida escrevendo sonetos
Rimas soltas apaixonadas ao vento
Poesias completas endereçadas para a alma
Que de tão branda, reluzia perfeita.

Foi de início triste, passando a escuridão
Do gozo sincero a tenra depressão
Encontrava nas linhas sinuosas e rochosas
Essa completa e apaixonada maldição

Foram dias inteiros imaginando este lindo fim
Tentando encontrar, no nada, alguma beleza final
Algo que chegasse perto de uma morte triunfal

Em ruas do meu coração eu me pus a procurar
Outra palavra que mostrasse o presente que andei
Porém só achei o pretérito imperfeito de vida: AMEI.