A caneta posta em uma posição diferente, o caderno recebeu sua tinta de inspiração e a poesia se transformou em vida completa, por mágica…
A rajada de vento fez uivar a rachadura da porta que eu nunca consegui fechar…
Novamente eu sonho contigo e sei que meus dias agora serão a eterna espiral de lembranças, angústias e porquês sem explicação…
A bolsa no sofá, o café em um ponto qualquer, a saudação enrolada e um sorriso com brilho de um sol que não se acostuma…
Estarei ali, em algum lugar perdido entre a espada, as palavras não ditas e a parede de lamentações…
Se te falasse depois de anos que tudo foi a fantasia postada?
A distorção que uniu os corpos separou os desejos e a racionalidade. O refrão chegou forte e encantou, mas os lábios permaneciam separados…
Eu queria o seu grito mais profundo e sincero, mas não posso me responsabilizar pelo resultado de toda a confusão criada. Talvez a gente pule junto, você puxe meu cabelo e eu segure sua cintura com força, em um beijo que será de virada de página. Seria um convite, mas o desejo é recíproco? Os lábios continuam separados…
Eu começo a enlouquecer e sou obrigado a seguir o ritmo da multidão, para que ela me leve mais perto. Tento engrandecer o momento, fazê-lo soar mais real. Caio e levanto, me esmago por entre os acordes, mas ainda não é o suficiente. Tento sorrir, mas os lábios continuam separados…
Então você me encontra no meio, me segura e sorri para mim. O mundo gira de novo e você me lembra do caos existente: as cartas não enviadas, as fotografias espalhadas, as malas prontas, as garrafas quebradas, o desânimo e a realidade…
Você me beija e sussurra ao mesmo tempo: O fim é sempre o fim.
Era uma manhã fria de primavera. O vento gelado o acordou e fitou a penumbra do quarto, que ganhava as cores do dia que começava a surgir e o atropelava com seus pontos cruciais…
Os toques foram frios no corredor de lamentações. Embriaguez, lamúrias e aflições tingiam o povoado local de um tom rubro, acre e indefinido…