Era uma carta aberta manuscrita com um tom melancólico, mas guardando uma emoção característica de quem realmente amava intensamente…
Como podemos ser algo valioso, se nem sequer temos certeza do que significa ser uma pessoa valiosa?
A avalanche se aproximava, mas ignorávamos os sinais e seus alertas sonoros. Era como se estivéssemos surfando em um desespero de liberdade…
Eu sou o maior culpado do tempo não passar mais. Sou o culpado da inércia em que se transformaram meus dias e meus gritos abafados…
O sol ainda não ilumina esta rua. Ele habita o céu, mas, tímido, não alcança o asfalto onde piso…
A caneta posta em uma posição diferente, o caderno recebeu sua tinta de inspiração e a poesia se transformou em vida completa, por mágica…
A rajada de vento fez uivar a rachadura da porta que eu nunca consegui fechar…
Novamente eu sonho contigo e sei que meus dias agora serão a eterna espiral de lembranças, angústias e porquês sem explicação…
A bolsa no sofá, o café em um ponto qualquer, a saudação enrolada e um sorriso com brilho de um sol que não se acostuma…