Ela abriu a porta e não encarou seu rosto. Era um misto entre vergonha e tristeza por tudo o que estava acontecendo…

Eles abriram suas bebidas e beberam sem brindar. Fitaram horizontes diferente por alguns goles que quebravam o silêncio da falta de conversa e contato maior. Eles já estavam na metade das garrafas e o silêncio tomou uma forma um tanto forte e incômoda entre os dois. A frieza aumentava a distância entre os dois em algumas vidas, mesmo que seus corpos estivessem à poucos centímetros um do outro…

Ele tentou fazer uma pergunta qualquer sobre a sua rotina e não ouviu resposta. Apenas um menear vago de cabeça. O silêncio estava ensurdecedor.

Ela começou a falar ao mesmo tempo que chorou. Ela falava o que as lágrimas sentiam. Ela chorava para aliviar a pressão que tinha no peito e externava as emoções que toda a angústia estava reprimindo. Ela não gritava. Apenas falava… Sem medir palavras ou pensar em outras situações. Mesmo assim, estava completamente sã e consciente. Cada minuto que passava, cada frase construída, o choro era maior e mais intenso…

Ele não conseguia rebater. Não havia espaço ou motivos para tentar negar tudo aquilo que ela dizia. Era a verdade exposta de uma maneira que ele, mesmo gostando de argumentos, ficou completamente sem ter o que pontuar diferente daquilo que ouvia e que explicava, categoricamente, todos os seus pontos falhos e erros…

Alguns minutos depois, ela parou de chorar e falar. O silêncio voltou mais leve e aliviando uma tensão impossível de dimensionar. Ela terminou sua bebida e se levantou para abrir a porta. Não havia nada mais ali para acontecer e ela, finalmente, estava bem e leve novamente.

Ele se foi levando as duas garrafas vazias. Antes de sair apenas conseguiu balbuciar “desculpa por ter mentido para você…” e a porta se fechou.