Desligo o telefone que cisma em gritar palavras que eu deveria esquecer ou simplesmente desaparecer dessa estrada que chamo de vida…

Me isolei das palavras venenosas e me cerquei apenas de uma solidão que quis chamar de minha. Fui até uma loja imaginária e enchi um carrinho com todas as coisas que me faziam me sentir vivo e paguei a moça do caixa gritando que seria a última vez que ela me viria por ali. Saí correndo para não perder mais tempo com falsas cognatos e fui em direção ao último pôr-do-sol desse mundo acabado.

Quebrei os freios e acelerei serra abaixo para sentir o vento no rosto e a adrenalina do perigo nas curvas. Lembrei de todos os erros cometidos, as promessas não cumpridas, as conversas pendentes e de todas as barreiras que havia criado e sabotado minha vida sem saber. Deixei as velas queimarem até o fim para que todos os antigos simbolismos se extinguissem como o fogo no final. Encontrei novos amigos, reconectei antigos e queimei os que eram presentes, mas ausentes. Me embriaguei fazendo essa lista e a executei com maestria. Evitei qualquer discussão infundada que pudesse trazer o fim mais perto de mim…

Fogos de artifício explodiram no céu minutos após o sol se deitar e as fotos ganharam um colorido vivo que há tempos havia esquecido. “A vida parece mais simples e radiante” foi o que a menina ao meu lado me disse em primeiro plano. Eu apenas sorri e deixei o livro aberto para que a história continuasse a ser escrita a partir dali…