O inverno já terminou, mas o ar gélido ainda paralisa as veias sedentas de verão…

As folhas ainda não completam a visão por aqui. Parecem esperar até o último minuto para sair. Os dias ainda estão cinzas e o vento não parece forte o suficiente para mudar a paisagem. Os dias começam a ficar mais longos, mas é um jeito triste de mudança – forçada e sem a vontade e alegria que sempre estão juntas nesses momentos.

A menina ao lado se abriga ao sair na rua. O menino na moto ajeita a luva que ele não aguenta mais usar. A senhora acha graça ainda do vapor saindo de sua boca quando saúda o senhor da banca, que esfrega as mãos com saudade dos dias mais quentes…

Há quem esteja sorrindo por o tempo mais largo assim, mas logo esses são os mesmos que planejam os meses de pleno verão. Há quem diga que assim é melhor, mas não desligam nunca o aquecimento da casa. Há os que alertam para o fim dos tempos, mas esses já morreram por dentro e nenhuma mudança será capaz de salvá-los do – esse sim – frio e implacável destino…