É um silêncio quebrado por uma moto que passa sempre no mesmo horário…
Uma rotina tonta, mas ainda assim uma rotina. Que te prende nas similaridades repetidas dia após dia. Como uma música de poucas notas, mas repetidas à exaustão por todas as horas do dia. Que quebra o silêncio tão acolhedor e palpável dessa cidade que vibra tanto, mas que cansa nas horas que não deveria.
A beleza disso tudo está nos detalhes escondidos da mescla de cor que é feita entre os primeiros raios do sol, a névoa densa do mar e a pintura desgastada do monumento de céu aberto que ouviu protestos e reivindicações por anos a fio…
Quando tudo começa a despertar fora do compasso de antes, o ritmo prevalece e toda essa correnteza de detalhes se perde no vai e vem frenético. Da corrida do semáforo, dos números aleatoriamente iguais, do caminho diário e da fuga ilusória diária. É a esperança derrotada de uma vida melhor na esquina, na hora ou até mesmo na semana seguinte que nunca chega…
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