É o devaneio de mais um copo solitário naquele lugar tão impessoal e degradável como a minha vida…

Era uma viagem sem volta em que eu pintava um limpo outono dourado, mas que descobri ser impossível lutar contra as nuvens desse lugar. Sempre me disseram que os ventos trazem boas novas, mas luto para tentar descobrir uma boa notícia nesse vendaval que vivo por aqui. Me cansei das vezes que fiquei entre paredes, tremendo por uma mensagem ou uma promessa de beijo ardente. Me cansei de te esperar no café que você tanto gostava, mesmo que eu jamais conhecesse tal lugar. Me cansei de estar entre suas palavras e sua boca, no doce hálito que sonhei sentir e acordar com o acre sabor da solidão rindo entre as minhas reticências…

Juro que busquei forças para que os caminhos fossem síncronos. Juro que mudei o máximo possível minhas ideias para que os discursos seguissem juntos. Juro que eu tentei traduzir e retraduzir palavras inexistentes para que você me quisesse. Juro que tentei falar de flores em estações distintas. Juro que ignorei todos os olhares que tentavam me ferir. Uma vez. Novamente. Ou nunca mais…