Sentindo a dor no peito, acuado com o vento frio das manhãs, caminhando pela escuridão e tentando ser igual a tudo…
Foi assim que comecei a redescobrir a angústia, a provar o amargo gosto da tristeza e me sentir sem vontade de vida. Depressão. O sorriso pesa, os braços não se mexem, o querer se esvazia, o ar falta. Eu sinto falta e sinto saudades. Quero mais e quero tudo. A inconsistência gera a dúvida e involuntariamente me atiro no abismo do não. Queria saber do olhar fraternal, das mãos trêmulas e suadas, do balançar involuntário. Queria ter. Queria ser. Sou o antônimo da vida mesclando-se como fantasmas no invisível do mundo.
Sem cor nem vida. Sem vida nem amor. Sem amor nem riso. Sem riso nem afeto.
Morro na vontade, nos lindos minutos que falamos. No tudo bem e de novidades antigas. Morro na simplicidade da vida, em ver que se lembra, em ver que os olhos pesam e tentam reviver algo tangível burlando a distância.
É por isso que eu me calo. Porque não consigo viver assim, não sem sentir e muito menos sem desejar. Eu desejo, eu quero, eu espero. Mas os dias nunca me deixaram assim. Preciso de um olhar seu, aquele que me paralisou, que mostrou a perfeição da beleza. Preciso de um só olhar. Preciso todo dia, toda hora que precisar. Preciso e talvez por isso que eu esteja assim, perdido e inerte. Tudo isso porque gostei de você e comecei a gostar tarde demais…
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