Temia escrever sobre o efeito do astral, pois sempre me traz lembranças e mais do que existir de especial…

A tristeza se instala e o que mais me dói é sentir a distância, o silencio, a completa depressão por causa da nossa curta história enfática. Fomos quase tudo, realizamos e descobrimos um mundo novo e incompleto. E assim, todo março eu volto ao mesmo ano, na mesma janela, com as mesmas músicas e os mesmos sonhos banais que tinha. Você foi a primeira que me despertou o amor, que fez eu encontrar a poesia dentro de mim. A primeira que fez eu chorar e nublar os vários dias da minha vida.

Eu te esperava, eu te amava, eu te escrevia, eu te venerava… Não importava se era tudo infantil, errado, novo, inexperiente… Tudo tinha motivo porque era e sempre foi você. Te escrevi tanta coisa, mas não te mostrei quase nada. Tive medo, pois sabia que a distância insuportável iria aumentar. Lembro bem quando te entreguei o meu primeiro texto, com meu nervosismo infantil crescendo e suando cada parte do meu corpo. Lembro que o teu sorriso foi o mais lindo que eu vi após ler aquelas pequenas frases soltas e conectadas por um amor tolo e raso. Mas, aquele gesto, aquele sorriso, fez valer todo o sofrimento e fez selar uma recompensa única que jamais esqueci…

E depois de tantos anos não sei de você, como está, onde está e nem os seus porquês. Continuo minha vida, mas sempre vai existir março, os dois dias que nos separam e você sempre vai ter sido a minha primeira… Em tudo e por tudo.