Como poderia me arrancar dessa rotina, dessa rua barulhenta e desses sonhos estúpidos que em vão tento fazer dar certo…
Poderia sonhar com um desfecho diferente, sem me fixar em um endereço. Trabalhei demais minha solidão que, ao menor temor de perde-la, mantenho meu medo de sair dessa prisão sem portas físicas, mas que me fecham do mundo exterior.
O cachorro assume que eu necessito de uma ajuda, mas foi treinado para me ignorar completamente. Se vai no seu passeio matinal, sem nenhuma lembrança da minha angústia. O invejo por ter essa memória curta e me atiro contra a parede mais uma vez.
Não foi por nenhuma razão a grosseria de ontem. Foi apenas por ter perdido os assuntos corriqueiros que me faziam ser querido. O reflexo do espelho me solta rimas de uma nova música, mas eu sintonizei outra estação e não captei o convite do recomeço – até porque recomeçar já virou mais um item na lista dos meus cansaços…
Conte-me algo aqui...