A semana seguinte foi intensa demais e ela nunca tinha vivido algo assim…
Ela conseguiu cumprir sua agenda na medida do possível e aceitável. Pedro enviou mensagem no final da tarde de domingo, como ela previa, e conseguiu fazer uma agenda intensa entre todos os compromissos profissionais, jantares e terminar com sexo em seu hotel. A cena se repetiu três vezes naquela semana e na sexta-feira, quando estava em sua rotina com André, ela sentiu um leve incomodo no corpo. De repente sentiu uma ardência na sua vagina e ela tentou evitar o desconforto enquanto transava com André e tentou não transparecer a dor que sentia. Claramente pensando que foi toda a “intensidade” que seu corpo claramente não estava acostumado. Em uma conta rápida de cabeça, havia transado com três caras diferentes, seis vezes nos últimos sete dias. Isso com certeza seu corpo, e toda parte “de baixo”, estava desacostumada com tanta frequência e intensidade. Por isso levou a ardência e desconforto meio que de forma “OK”.
Quando estavam no bar jantando, André reparou que ela estava com uma cara de dor. Ela desconversou e disse que estava com um pouco de cólica e que provavelmente era alguma desregulação do seu fluxo menstrual e, por conta do stress da semana, afetou de alguma maneira. Ele desconversou e nem tocou mais no assunto.
Quando estava voltando para casa, ela passou na farmácia e comprou uma pomada anti-inflamatória para a região e aplicou antes de dormir, com uma pastilha também para aliviar a dor. Pensou que tudo estaria bem até o início da próxima semana e descansaria, merecidamente, no final de semana.
Ela acordou no meio da madrugada com a dor ainda pior. Era algo que mais parecia um incêndio e que palpitava de uma maneira que ela nunca tinha sentido antes. Olhou com um espelho e tinha bolhas em seus lábios internos e ela pensou o pior. Foi para o hospital e a médica não precisou de dois minutos para dizer: “É herpes, minha filha.”
Ela entrou em choque. Rapidamente sua cabeça foi para Ivan, porque foi o único cara diferente dos últimos meses que tinha transado. Lembrava de colocar a camisinha quando ela foi por cima, mas quando ele a colocou de bruços, não tinha certeza. Será que ele tinha tirado a camisinha sem ela perceber? Como? Ele havia gozado fora, em sua bunda, mas será que antes já estava sem? As perguntas pulavam em sua cabeça, enquanto a médica lhe fazia perguntas que ela mal escutava e apenas balançava a cabeça.
“Muitos parceiros?”
“Oi?”
“Você está com uma expressão confusa.”
“Eu não sei…”
“Algum dos últimos. Muitos homens possuem e se tiverem alguma ferida, podem te infectar…”
E as explicações se foram e ela tentava imaginar como havia acontecido isso. Ela pensou primeiro se tinha também passado para André naquela noite, porque eles estavam começando a fazer sem camisinha, mas já faziam semanas que isso acontecia e não poderia ter demorado tanto para manifestar. Sua mente se voltou de novo para Ivan. Como? Ele não havia mandado nenhuma mensagem desde que saíram. Ele evaporou totalmente da sua vida. Ela havia achado estranho, mas Marta disse que muitos caras são de uma noite e só. E ela já havia “aceitado a ideia”. O problema era que agora teria essa marca em sua vida e ele não estava disponível para que ela perguntasse ou falasse com ele.
Ela se sentia culpada. Vulnerável. Indefesa e completamente exposta. Ela saiu do hospital com a receita do antiviral e conseguiu achar uma farmácia 24 horas para comprar. Pensou ter percebido a cara de “surpresa” do rapaz da farmácia ao ver a receita, mas ela talvez estivesse alucinando ainda com a surpresa.
“Vai querer uma dose ou duas?”
“Oi?”
“A dose é só para você ou precisa comprar para alguém mais?”
“Pode ver duas, se for possível.”
“Claro. Sem problemas.”
Ela respondeu no automático, mas queria ter algo para André apenas se fosse o caso dele ter algo.
Enquanto dirigia de volta para casa, a sua mente fervilhava em diversas direções, com perguntas, memórias das situações que ela tinha vivido e tentando encontrar as brechas que ela não havia reparado. Ela tentou dormir novamente, mas a dor que agora sentia era da culpa e da vulnerabilidade que ela vivenciava no momento. Por um momento a dor do herpes manifestado em sua vagina não existia. O que pesava e doía era sua cabeça e seu sentimento. Como ela pode ter sido tão inconsequente? Como ela pode ter se arriscado tanto em tão pouco tempo? O que ela estava pensando? Como ela foi ter se exposto dessa maneira?
Eram cinco da manhã e o sol quase aparecia no horizonte. Ela não teve outra alternativa. Levantou da cama, foi até a sala, abriu uma garrafa de vinho e serviu uma taça generosa. Sua mão tremia e sua cabeça ainda tentava encontrar uma solução. Terminou a taça olhando o horizonte que já estava pintado de tantas cores que ela mal conseguia enumerar. Pegou o celular e fez o que ela achou certo.
“Oi André! Bom dia! Acabei de voltar do hospital. Está tudo bem, mas eu preciso te contar uma coisa…”
Ela não sabia explicar como, mas adormeceu com lágrimas nos olhos…
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