Só de lembrar, o nervosismo retorna à minha face e eu mal consigo acreditar que o filme todo já terminou sem os créditos necessários…
Eu contei até três e sorri para uma câmera ao alto daquela porta que sempre admirei. O som característico veio na sequência e te encontrei ofuscada por uma luz de crepúsculo tão difícil de ver por ali. Sentamos e observamos a parede que você pintou de roxo, falando das conexões de sua aura com a graça de uma capa do seu disco preferido. Aquele diálogo parecia se espalhar pelo incômodo espaço criado ao nosso redor – fruto de uma graça que nunca conseguimos definir muito bem…
As pausas e os silêncios que se produziam no caminho, faziam a situação ser inquietante. Nos agitávamos e encolhíamos o nosso corpo porque ele parecia se lembrar de coisas que você disse para esquecer – alguns afetos tocados por uma fúria latente…
Eu me desculpei e saí logo depois do quarto silêncio forçado. É minha maneira de dizer adeus, um jeito pobre e tosco que parece ter sido comprado em uma loja de segunda mão, que guarda os remorsos dos antigos donos. E você aprendeu a chorar em total silêncio, apenas aumentando ainda mais o orgulho e o talento que nunca te escapou e te fez mentir e ruir toda uma história que parecia perfeita. No final, encontramos nossas adoráveis maneiras de nos decepcionar…
Conte-me algo aqui...