Outro dia me perguntaram por qual motivo ainda continuava minha saga de escrever e criar histórias que poucas pessoas conheciam…

Respondi que era minha forma de terapia. Mais barata. Mais indolor. Mais complexa e muito mais interessante que as formas tradicionais. Respondi que nesses momentos de introspecção e solidão, posso me compreender melhor, e refazer os pontos que sempre me machucaram, de uma forma clara e tranquila de assimilar.

Respondi que poetizar, brincar com palavras e criar rimas em palavras que nunca rimaram, era minha forma de construir um mundo que meu caos fosse a personagem principal. Era a chance que eu tinha em descrever os meus devaneios sem parecer louco. Era o momento que eu colocaria os pontos certos e os finais característicos para fora e tudo isso fizesse sentido.

Mas também respondi que é minha única chance em ter os caminhos que eu perdi. É a única oportunidade onde os diálogos passados se reordenassem, se refizessem e ganhassem sentido. É a única possibilidade de ter aquele pseudo amor em minhas mãos por alguns segundos apenas.

E eu sendo o grande controlador dessa sessão, sei que nada se tornará realidade. Nada sairá dessas linhas para o mundo real. E é por isso que meus finais nunca são felizes ou perfeitos – porque se fossem, eu correria o risco de criar um mundo que eu jamais quisesse sair…