Chegamos no vinte e sete de março e o relógio da vida canta alto mais uma vez por aqui…
São os 41 anos de uma velha vida, com nova roupagem. São os 41 que mostram a careca mais avantajada e os olhos já cansados de muitas situações. São os 41 de um sorriso genuíno e que sempre busca algo a descobrir e se aventurar – até pelo signo que não me deixa ficar parado. São os 41 de uma lista bem conhecida de dores, de remédios, de jeitos e trejeitos… Enfim, são os 41 que completo hoje tão característicos, como também únicos e pessoais.
Depois de 8 anos de Europa, já me acostumei com a ideia de passar os aniversários sozinhos. Prova real disso foi que ano passado, nos 40 anos, eu fui dormir às 21h porque era uma quarta-feira e eu tinha começado a trabalhar às 5h30 para um release na empresa… Sim, a vida real é assim mesmo. E a maioria dos anos foi assim. Ou sem amigos, ou mudando para uma nova cidade sem conhecer ninguém, ou se sentindo estranho, ou na pandemia…
No final, eu simplesmente encaro a normalidade e sigo minha vida, celebrando os louros da minha maneira e aprendendo com as diversas cicatrizes que a vida me marcou. Creio que não exista melhor presente do que fazer essa autoavaliação íntima e pesar tudo na balança ali, preto no branco, para que tudo contraste e mostre realmente o que foi, o que é e o que talvez será…
E assim sigo sabendo que um ano a mais, é também um ano a menos. Que meus planos agora parecem mais certos e simples, quase sem audácia, porque talvez já tenha entendido que não adianta e também não tenho mais aquela energia toda dos meus 20’s anos. Que agora prezo muito mais um abraço confortável, do que um beijo roubado. Que prezo os poucos e verdadeiros, do que os muitos alegres. Que agora me emociono com as tontas conquistas, do que as surpresas temporárias. Que ignoro quem não adiciona, para que não me subtraia mais do que já perdi de cabelo…
E continuo o mesmo… Velho, careca, ranzinza, alegre, verdadeiro, criador de histórias, sempre pronto por um diálogo com estranhos na rua, que ouve todas as conversas ao redor e esquece o nome no segundo seguinte. E ainda lembro como é o sabor da vida – seja de uma comida, de uma bebida, de um abraço real e também como é o ponto final – que eu sei que está perto, mas ninguém quer acreditar… Enfim… Seguimos para mais um ciclo.
Parabéns para mim!
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