Poderia ser uma tatuagem daquelas que se apagam com o tempo. Poderia ser uma promessa de fim de carnaval…

Até mesmo algo tão volátil que traria o arrependimento no segundo seguinte. Como uma chorumela que o dicionário finge ignorar, mas que está presente no nosso cotidiano na espreita de um uso mal feito.

Mesmo assim ele ainda prometia essa insanidade para o próximo dia.

Patifaria? Infantilidade? Mentira? Masoquismo? Falta de inteligência? Uma junção de todas essas razões e mais… Muito mais!

Ele sorria sem ironia e alimentava um sentimento de esperança tão utópico, que o mundo anarquizado seria mais palpável que sua ideia de se apaixonar e morrer com aquele amor para sempre, sem fissuras ou machucados.

Nem culpar o álcool era possível, pois desde o último porre homérico, ele jurou largar e já vão uns pares de anos sem o gosto acre e o espírito anestesiado. Drogas nunca usou, porque sempre se viu completo, não tendo espaço para tal entorpecente – era como se fosse muito ocupado ou focado em outra área. E no final era mesmo…

E lá ia ele, rabiscando mais um dia de seu calendário longo, alimentando uma solidão inerente ao seu corpo, mas com aquela minúscula faísca que era seu Norte, seu motivo, sua razão e sua única salvação…