Ele estava na varanda do hotel, fumava um cigarro de forma pesada e pensativa; os olhos apontavam para baixo, mas era perceptível que ele estava distante dali…
O ar era de extrema tristeza e carregado com um tom de saudade. Mas saudade do quê, se todos estavam ali, ao seu redor, e passando um final de semana perfeito? Eram seis pessoas no total — três casais. Mas não perfeitamente casais; para ser mais exato, três homens e três mulheres, não necessariamente conectados. Eram daqueles amigos do acaso. Conheceram-se através de provas e em meio a nervosismos, ansiedades e possíveis aprovações, mudanças de vida ou reprovações e futuras frustrações. Era como uma salada mista complexa demais, mas ainda assim comum naquele tempo…
Eram jovens e sonhadores — sonhavam com grandes conquistas, plantavam um futuro de vitórias, de construções e até traçavam planos e metas conjuntas, porque tinham a certeza de que passariam os próximos anos juntos. Eram de diferentes partes — ele, o que fumava o cigarro, e outras duas meninas eram os que viviam mais distantes, porém naquele momento não importava em nada. Estavam todos “longe de casa” e tentando criar seus próximos passos independentes…
De repente, eu estava ali no meio — eu era um desses seis. Lembrei da primeira vez que vi o cara fumando o cigarro. Logo pensei que fosse uma daquelas pessoas completamente desprovidas de emoções. Sempre fumava, falava ao celular com amigos da cidade natal, ouvia seu discman o dia inteiro e parecia um pouco longe da realidade ao redor. Lembrei que era um grande companheiro de cervejas. Durante aqueles dias que passamos ali, dividimos algumas dezenas delas, que foram o combustível certo para entendermos que ali nascia uma amizade. A sinergia entre todos nós era diferente — parecia de outra vida. Éramos completos desconhecidos, mas parecíamos amigos antigos. Havia uma leveza e confiança entre as risadas, piadas e todos os outros pontos que toda amizade duradoura tem. Nós éramos assim: completos desconhecidos, mas eternos íntimos intermináveis.
Ele ainda estava na varanda e, como um impulso automático, todos nós chegamos ao seu lado. Ficamos ali, naquele pequeno espaço que era nosso lar por aquele fim de semana, mas que agora carregava um peso e uma tristeza que era difícil descrever, mas que todos sentimos. Era como se a dor que um sentia passasse para todos nós, e compartilhávamos da mesma angústia invisível…
Uma das meninas me abraçou, e eu retribuí com um beijo em seu cabelo. Ela sorriu leve e me beijou de volta. Os outros três, duas irmãs e o outro rapaz que era praticamente vizinho de cidade do que fumava, também estavam ali — abraçados e compartilhando aquele sentimento. Ficamos ali por algumas dezenas de minutos no completo silêncio. Logo amanheceu, e todos captamos o amanhecer daquela cidade que poderia ter sido nossa. Aquela cidade que foi testemunha de nossos planos e sonhos. Aquela cidade que nos mostrou como a vida é cheia de surpresas e magias…
De repente, ele deixa o cigarro cair no chão e começa a chorar. Um choro de desespero. Um choro puro que externava aquela angústia e tristeza que todos sentíamos… Assisti à cena imóvel — não podia me mover, pois senti a dor bater dentro de mim. Depois de alguns segundos, consigo me desvencilhar do abraço da menina e ergo meu novo amigo do chão. Dou um abraço, acompanhado de todos os outros, e escuto, com a voz trêmula e carregada dos inúmeros cigarros que ele havia fumado, a voz da realidade que cortou todos os nossos corações:
“Por que tem de ser assim? Por que isso não dura para sempre?”
E depois tudo se perdeu do sentido inicial, e a dor da realidade era evidente em todos nós. E prometemos nunca mais planejar e nem prometer nada…
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